Violência doméstica: Cidade do PI com menos de 10 mil habitantes terá força-tarefa da PM após quase 30 denúncias

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
Ilha Grande, no Piauí Andrê Nascimento/ g1 Piauí A cidade de Ilha Grande, no litoral do Piauí, deve receber uma força-tarefa da Polícia Militar pelo período mínimo inicial de 60 dias. O município de 9.274 habitantes registrou, de janeiro de 2025 a maio de 2026, 29 boletins de ocorrência por violência doméstica contra a mulher, segundo a Polícia Civil. 🚨 Uma força-tarefa é uma estratégia operacional temporária que reúne policiais, e muitas vezes outros agentes de segurança, com o objetivo de cumprir uma missão específica. Ela é montada para responder rapidamente a crises, combater focos de criminalidade intensa ou lidar com eventos que exigem atuação multidisciplinar. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp A implementação da força-tarefa foi um pedido do Ministério Público, feito em 31 de março, ao Comando-Geral da PM no Piauí. Na data, o promotor Edilvo Augusto de Oliveira Santana, da 7ª Promotoria de Justiça de Parnaíba, deu um prazo de 30 dias para a polícia responder se poderia cumprir a demanda. Procurada pelo g1, a Polícia Militar informou que a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) respondeu ao MP dentro do prazo. A corporação está em "fase de planejamento da montagem e execução" da força-tarefa, que deve incluir reforço do efetivo policial e apoio de forças de segurança. Vídeos em alta no g1 Reunião com ONG e moradores De acordo com o promotor Edilvo, a solicitação feita à PM foi elaborada após uma reunião do Ministério Público, em 16 de janeiro, com representantes da ONG Comissão Ilha Ativa e da Associação de Catadores de Mariscos de Ilha Grande (ACMIG). Na reunião, os representantes apresentaram relatos que apontaram um aumento significativo da criminalidade em Ilha Grande nos últimos dois anos, principalmente nos casos de violência doméstica contra a mulher. O MP também considerou, para pedir a criação da força-tarefa, que a insegurança local provocou "graves impactos sociais" e expôs a vulnerabilidade das mulheres nessa situação, as quais enfrentam "barreiras tecnológicas e geográficas" para denunciar os agressores. O g1 procurou representantes da ONG Comissão Ilha Ativa e da Associação de Catadores de Mariscos de Ilha Grande (ACMIG) para comentar os relatos apresentados ao Ministério Público. A representante da associação informou que não iria se manifestar sobre o caso. Já a integrante da ONG não havia retornado o contato até a última atualização desta reportagem. Casos denunciados Segundo a Polícia Civil, Ilha Grande registrou 19 boletins de ocorrência por violência doméstica contra a mulher, em todo o ano de 2025, e 10, até 7 de maio de 2026. Os BOs incluem casos tentados e consumados. Confira, abaixo, a quantidade de denúncias formalizadas a cada mês: Como identificar e denunciar a violência doméstica A violência contra a mulher pode ocorrer de várias formas e nem sempre envolve agressões físicas. O problema pode começar com ataques verbais ou psicológicos e evoluir para casos mais graves, como agressões físicas e até feminicídio. Por isso, reconhecer os sinais e saber onde buscar ajuda é fundamental para interromper esse ciclo. No Brasil, esses casos são enquadrados na Lei Maria da Penha quando ocorrem em relações de convivência, confiança ou afeto. A lei reconhece cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. A física envolve qualquer agressão que cause dor ou lesão, como tapas e empurrões, mesmo que considerados leves. Já a psicológica inclui ameaças, humilhações, manipulação, perseguição e isolamento. Esses atos afetam a autoestima e o bem-estar emocional da vítima. A moral ocorre por meio de calúnia, difamação ou injúria, como ofensas e acusações falsas que prejudicam a reputação da mulher. A sexual abrange qualquer ato sem consentimento, incluindo relações forçadas, mesmo dentro de relacionamentos. A patrimonial envolve o controle ou a destruição de bens e recursos financeiros. Isso inclui retenção de dinheiro, impedimento de trabalhar e danos a objetos pessoais. Como denunciar O silêncio é um dos principais obstáculos no combate à violência. Ele impede a identificação prévia de situações de risco e dificulta a adoção de medidas preventivas. Por isso, os canais de denúncia são fundamentais. No Piauí, os canais de atendimento e denúncia incluem: “Ei, Mermã, Não se Cale” (24h): 0800 000 1673 Ligue 180 (Central Nacional, 24h) Polícia Militar: 190 Guarda Municipal: 153 Casa da Mulher Brasileira (Teresina): (86) 99412-2719 BO Fácil: 0800 086 0190 VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

FONTE: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2026/05/10/violencia-domestica-forca-tarefa.ghtml


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